As despedidas da infância que a gente não vê

Quando pensamos na infância, costumamos celebrar as primeiras vezes.

O primeiro sorriso. O primeiro passo. A primeira palavra. O primeiro dia de aula.

Mas quase nunca percebemos que, junto com elas, existem as últimas vezes.

A última vez que seu filho pediu colo para subir uma escada.

A última vez que dormiu segurando a sua mão.

A última vez que levou seu bichinho inseparável para todos os lugares.

Ninguém nos avisa quando essas despedidas acontecem. Elas simplesmente passam. E, quando percebemos, já ficaram para trás.

Talvez seja por isso que a infância seja tão bonita e, ao mesmo tempo, tão delicada. Ela muda aos poucos, quase sem fazer barulho.

Enquanto estamos preocupados com a próxima fase, a hora de dormir melhor, de largar a fralda, de falar, de ler, de crescer, a infância continua acontecendo bem diante dos nossos olhos.

E ela não tem pressa.

As crianças sabem viver o presente como poucos. Elas repetem a mesma brincadeira dezenas de vezes, observam uma joaninha como se fosse uma grande descoberta e abraçam o mesmo companheiro todas as noites com a mesma alegria.

Nós, adultos, é que quase sempre estamos olhando para o próximo passo.

É claro que crescer faz parte da vida. Queremos ver nossos filhos confiantes, curiosos e preparados para o mundo. Mas talvez a infância não precise ser uma corrida de conquistas.

Talvez ela precise apenas de tempo.

Tempo para brincar.

Tempo para imaginar.

Tempo para ouvir uma história antes de dormir.

Tempo para mais um abraço, mesmo quando a rotina parece corrida.

Porque, no fim das contas, são esses pequenos momentos que permanecem quando a infância vira lembrança.

Na Baby Me, acreditamos que crescer é inevitável. Mas viver a infância com calma é uma escolha que podemos fazer todos os dias.

Que a gente não deixe passar despercebidas as pequenas despedidas da infância.

Porque um dia elas acabam.

E são justamente elas que, mais tarde, moram para sempre no nosso coração.